Bósnia e Herzegovina: 6 razões para conhecer esse país da Ex-Iugoslávia

Bósnia e Herzegovina: 6 razões para conhecer esse país da Ex-Iugoslávia

Quando eu decidi viajar para a Bósnia e Herzegovina, sabia apenas que o país havia sofrido muito com a Guerra Civil Iugoslava dos anos 1990. O estrago da guerra estigmatizou o país, levando muitos turistas a ignorá-lo como um destino a ser visitado. Aqui, vou contar para vocês por que essa parte da Ex-Iugoslávia se tornou um dos meus destinos preferidos no mundo.

Minha viagem à Bósnia e Herzegovina foi parte de um tour pelos Bálcãs que incluiu também a Eslovênia, a Croácia e a Sérvia. Um ano mais tarde, conheci também a Macedônia, a Bulgária e a Romênia. Portanto, já cobri quase toda a Ex-Iugoslávia e uma boa parte da península balcânica, mas há ainda países por ali que quero muito conhecer.

Meu roteiro na Bósnia e Herzegovina durou cerca de 4 dias. Durante esse período, conheci Bihac, na fronteira com a Croácia, a capital Sarajevo e Mostar (capital da região de Herzegovina). Em breve farei outro post com sugestões sobre o que fazer na Bósnia e Herzegovina, mas aqui você também pode achar informações úteis.

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Centro de Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

1) Paisagem

A primeira razão do meu encanto com o país foram as paisagens. A Bósnia e Herzegovina é repleta de montanhas e vales cortados por rios cristalinos de cor azul-esverdeada. É, inclusive, um destino barato para quem gosta de esquiar por conta das montanhas e das baixas temperaturas no inverno.

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Rio Una, Bihac, Bósnia e Herzegovina

Fui por terra da Croácia para a Bósnia e Herzegovina e depois dali para a Sérvia. Assim, praticamente cruzei o país de um lado a outro. Com isso, pude ver muito da paisagem e me encantar com a natureza, a cultura e a história do país.

2) Povo

Também me surpreendi muito com os locais. Como em outros vários países onde estive, fui muito bem tratada na Bósnia e Herzegovina. Mas eu não esperava que as pessoas fossem tão gentis e humildes.

A população do país ainda está profundamente marcada pelos efeitos da guerra civil que matou cerca de 100.000 bosniaks (bósnios muçulmanos) e croatas. Onde quer que se vá, se escutam relatos sobre a Ex-Iugoslávia, a guerra e seus efeitos. O motorista que me levou de Sarajevo a Mostar mancava por conta de um ferimento de bala em sua perna. A dona do apartamento onde eu fiquei teve seu carro apedrejado por ser bosniak. A mãe do guia turístico que conheci ia corajosamente trabalhar em meio aos bombardeios durante o cerco de Sarajevo.

E mesmo ainda carregando o legado da guerra, é muito claro que o povo da Bósnia e Herzegovina quer ser feliz. Eles falam abertamente sobre a guerra e não querem apagá-la da memória, porque ela faz parte da história deles e custou muitas vidas. Mas existe uma vontade enorme de quebrar o estigma da guerra e de mostrar para o mundo que eles têm muito a oferecer. E isso é muito comovente.

3) História

A rica e complexa história do país também me encantou. Qualquer lugar que possua história viva é um lugar que me atrai. Basta fazer um tour por Sarajevo para ver e sentir a pujante história do lugar. E isso vai muito além da guerra civil.

Foi ali, por exemplo, que o herdeiro do império austro-húngaro, arquiduque Franz Ferdinand, foi assassinado em 1914. Que o fato é tido como o estopim da Primeira Guerra Mundial, muitos sabem. Mas que foram necessárias várias tentativas desastradas de um grupo de jovens sérvios da Bósnia, pouca gente sabe.

Basta um passeio no centro de Sarajevo para ver onde o fato histórico se desenrolou: o local de onde o primeiro assassino, Mehmedbašić, falhou em sua missão de bombardear o carro do arquiduque; o lugar de onde o segundo assassino, Čubrilović, armado com uma bomba e uma pistola, também falhou na hora de agir; o ponto de onde o terceiro assassino, Čabrinović, jogou uma bomba, que bateu na capota do carro do arquiduque e voou para o carro atrás, detonando e ferindo dezenas de pessoas (exceto o alvo); o rio onde Čabrinović se atirou após tomar uma pílula com veneno, que não funcionou, levando-o a ser capturado pela polícia e espancado pela população; o trajeto de fuga feito pelo carro do arquiduque, que passou por onde estavam os assassinos Popović, Princip e Grabež, os quais também falharam ao agir; e finalmente, a nova rota feita pelo arquiduque, que decidiu visitar as vítimas do bombardeio no hospital e por um erro fatal do seu motorista acabou por passar justo na frente da onde o assassino Princip se lamentava pelo fracasso da empreitada. Foi ali, no cruzamento entre Appel quay e Franzjosefstrasse, que Princip aproveitou o erro do motorista e disparou contra o arquiduque, matando a ele e a sua esposa, Sophie.

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Ponto onde Franz Ferdinand, arquiduque austro-húngaro, foi assassinado em 1914

Sarajevo é uma cidade de muitos contrastes. Há o centro antigo, herança do Império Otomano, e prédios mais novos muito bonitos, da época do domínio austro-húngaro. Há também muitos edifícios do período comunista. E há, ainda, cicatrizes ainda bem abertas da guerra resultante da desintegração da Iugoslávia. É possível ver inúmeros prédios com marcas de balas. E se você prestar atenção enquanto caminha pela cidade, poderá notar várias marcas de tinta vermelha no chão. São as “rosas de Sarajevo”, pintadas para marcar os locais bombardeados durante a guerra civil.

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Cicatrizes da Guerra Civil Iugoslava, Sarajevo
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Uma das várias “rosas de Sarajevo”

Apesar disso, a cidade me passou uma sensação de paz. Achei muito emblemático o fato de a Bósnia e Herzegovina ter uma população tão diferente e dividida e hoje ter uma mesquita, uma sinagoga, uma igreja católica e uma igreja ortodoxa romana co-existindo em harmonia no coração da capital. É também muito impactante o grande cemitério das vítimas da guerra, que paira sobre a cidade. Do alto de uma colina próxima ao centro de Sarajevo, se vê um mar de lápides brancas escorrendo cidade abaixo. É uma memória viva daqueles que perderam a vida na guerra. E também daqueles que sobreviveram e hoje tentam reconstruir o país.

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Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

4) Preços

A outra razão de eu ter gostado do país são os preços. A Bósnia e Herzegovina tem uma economia de transição, baseada fortemente na exportação de metais, energia e produtos têxteis. O país ainda depende de ajuda externa e vem tentando se reerguer economicamente. Contudo, alguns eventos impactaram o crescimento econômico pós-guerra, como a crise de 2008 e as inundações de 2014. Assim, a economia da Bósnia e Herzegovina ainda não é muito estável.

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Antigo Bazar ou Stari Bazar, Sarajevo

Por isso o turismo na Bósnia e Herzegovina é importante para o país. Para turistas, é bastante barato viajar pra lá. É possível encontrar apartamentos privados para 2 pessoas em Sarajevo por menos de 20 euros a diária. A comida também é bastante barata. Se come muito bem por 4 ou 5 euros por pessoa (preços de abril de 2016). E eu particularmente não precisei usar transporte público, porque o apartamento que aluguei ficava no centro. Para quem não se importa em caminhar, as principais atrações turísticas de Sarajevo são facilmente acessíveis a pé.

5) Segurança

Quando decidi viajar para a Bósnia e Herzegovina, eu cogitei fazer a viagem sozinha. Mas como já mencionei em outro post, eu costumo calcular muito bem as viagens que faço. E como eu não tinha informações suficientes sobre a segurança de uma viagem sozinha para lá, acabei decidindo viajar com mais três pessoas.

Mas eu me senti totalmente segura na Bósnia e Herzegovina. Fui avisada pelos locais para tomar cuidado com batedores de carteira, mas não tive qualquer problema com questões de segurança. Dito isso, não sei se eu iria sozinha para lá. Para quem decidir fazê-lo, sugiro apenas que pesquise bem e veja relatos de outras pessoas que fizeram o mesmo.

6) Culinária

A comida da Bósnia e Herzegovina também foi uma ótima surpresa. Como nos demais países dos Bálcãs, há muita influência turca devido à ocupação do Império Otomano do século XV ao XIX. Há também certa influência austríaca, devido à ocupação do Império Austro-Húngaro do século XIX ao XX. Como vocês podem imaginar, essas diferentes ocupações tiveram bastante influência na culinária e na cultura do país.

O café na Bósnia e Herzegovina é levado muito a sério. E embora o café seja uma forte influência turca por aqueles lados, o preparo do café bósnio é distinto da tradição turca. Por todas as cidades se pode ver homens sentados na rua, tomando café e fumando cigarro. Aliás, na Bósnia e Herzegovina e também na Sérvia ainda é permitido fumar dentro de bares e restaurantes.

Quanto à comida, o fato de eu não comer carne me limita um pouco na hora de experimentar alguns pratos típicos. Ainda assim, consegui experimentar pratos interessantes na Bósnia e Herzegovina. Alguns dos pratos que eu comi foram: domaća pura (polenta, também comida com creme e queijos da região); uštipci (bolinhas de massa fritas que se come com creme e/ou queijo); kljukuša (uma torta feita de batatas cortadas); tufahija (sobremesa feita de maçã cozida em calda de açúcar e recheada com chantilly e nozes); e, obviamente, baklava (típico doce turco feito com massa folheada, calda de açúcar e nozes).

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Comida típica da Bósnia e Herzegovina

Já arrumou suas malas?

Tendo já visitado mais de 30 países, é difícil dizer qual é o meu destino preferido. Mas, como este post mostrou, a Bósnia e Herzegovina certamente está no topo da minha lista. Espero tê-los inspirado a conhecer esse país tão especial. E espero poder um dia voltar lá para conhecer ainda mais da sua história e cultura.

Em breve escreverei mais sobre os outros países da Ex-Iugoslávia. E você, já pensou em conhecer a Bósnia e Herzegovina? Comente, compartilhe o post e acompanhe o blog para mais informações sobre o que fazer e onde ir neste e de outros países dos Bálcãs.

Até a próxima!

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